Série Memórias (4º e 5º ano)

Série Memórias

Nesta série, há duas narrativas: O diário listrado e O balanço vermelho. As duas histórias mostram um personagem central – uma senhora de 70 e poucos anos – contando alguns momentos de sua vida a dois jovens, que são seus netos. Esse é o ponto de partida dessas narrativas estruturadas em momentos do presente e do passado – que é evocado na contação de histórias –, representados de diferentes formas.

Memórias

A ideia central dessas duas narrativas é evocar sentimentos humanos e, por meio de adequado encadeamento de imagens e seleção criteriosa de cenas e códigos posturais,
provocar no leitor a percepção da preservação da memória pessoal e afetiva.

Outros temas abordados nessas histórias são:
• a relação entre natureza e experiências humanas;
• o contraponto da vida culta/letrada com a vida instintiva/do senso comum;
• a preservação de objetos que podem acompanhar uma pessoa durante toda a vida e as lembranças rememoradas por eles.

 

Elementos visuais

Um dos elementos visuais mais marcantes na série Memórias é o desenho feito com sobreposição de camadas de traços cruzados que forma a luz e a sombra. A ausência delas é a luz; e a presença, a sombra. Essa estratégia visual foi utilizada porque a memória (tema central e título da série) também é uma sobreposição de acontecimentos da vida e nossas impressões sobre eles. Esse traçado foi inspirado nas artes plásticas e na escola de ilustração brasileira dos anos de 1950 e 1960, representada por artistas como Tomás Santa Rosa, Poty Lazzarotto e Aldemir Martins. O traçado sobreposto em malhas, ao mesmo tempo que faz referência à proporção e à relação entre personagens e objetos, cria nas ilustrações uma vibração constante na mudança de páginas, tornando o livro mais vivo.

A diferenciação dos dois momentos da história (o passado e o presente) é bem marcada pelo estilo de ilustração. No presente, as ilustrações são emolduradas por linhas retas, contornadas por fio preto, o que mostra um momento “concreto”. Os traços dos desenhos são escuros, e as cores mais vivas, nítidas. Nas páginas que remetem ao passado, as ilustrações apresentam um contorno irregular, incerto, próprio das memórias. As imagens diluem-se à medida que avançam para as margens brancas: uma imprecisão e um esmaecimento próprio das lembranças. A cor das ilustrações é em sépia, monotonal, e os traços são mais imprecisos, elementos que também contribuem para os contornos difusos das memórias.

Em algumas cenas das histórias, a palavra escrita é usada para sustentar o tema. Os momentos em que isso acontece são importantes, pois contemplam encadeamentos que seriam muito difíceis de entender apenas com imagens. Em outros momentos, a compartimentação em forma de história em quadrinhos concede às narrativas maior velocidade e urgência e uma noção diferenciada de passagem de tempo.

As poucas páginas sangradas (que ocupam toda a página, sem nenhuma margem) têm função de chamar atenção e separar momentos. A intenção é dar um alerta para o leitor,
fazê-lo parar e prestar ainda mais atenção. Além disso, na narrativa O diário listrado, essas páginas têm a função de separar tempos, no caso, passado e presente.

Na narrativa O balanço vermelho, especificamente, há duas páginas duplas que contribuem para um maior conteúdo emocional para a história, sejam eles momentos de surpresa, reflexão ou enfrentamento. Essas páginas duplas cumprem a função de chamar a atenção e fazer com que o leitor demore um pouco mais na observação, tempo esse que será útil para despertar sentimentos e impressões.

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